"Aos leitores, gratidão, essa palavra-tudo."
Carlos Drummond de Andrade
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sábado, 16 de julho de 2011

TODOS OS MESES



Todos os meses

você me envergonha,

me constrange e me persegue


Todos esses dias

eu gasto-me

pensando em ti




E gasto minhas entranhas

tentando resolver

o que já se sabe assumido.

(Cybelle Ortins)

domingo, 20 de março de 2011

Possibilidade


Há três anos eu era folha
seca, levada ao vento
e um vento mais forte
me soprou longe
Há dois anos virei erva
frágil e embora viçosa
muito pequena
mais um ano
e sou semente
com todas as possibilidades
que a semente em si encerra.
aguardando a hora
de germinar, de crescer,
carente de cuidados
hora regada, hora não
mas resistente mesmo que
ainda uma possibilidade.

domingo, 13 de junho de 2010

Diluído


O rancor foi se diluindo
gota a gota
num copo de lágrimas
toda raiva foi se dissipando
e aquele copo já não é veneno
e tudo se passou
e meu mundo que era tão pequeno
tem hoje o tamanho que dele eu fizer.
ampliando espaços, tirando o mofo
e abrindo as janelas
para esperar os primeiro raios de sol
brilharem e aquecerem novamente meu coração.
(Cybelle Ortins)

domingo, 6 de junho de 2010

Todos Temos

Todos nós temos
todos nós perdemos
todos sofremos
todos sorrimos
todos choramos
todos morremos.
Somos humanos
e partilhamos o mesmo destino.
(Cybelle Ortins)

sábado, 15 de maio de 2010

Silêncio


A bolha explodiu

soprando seu confeti

para todos os lados.

segurando alguns em minhas mãos,

ainda me pergunto porquê,

e porquê não sopra-los?

é tão bom ve-los voando e arriscar!

(Cybelle Ortins)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Exclamação!




Cansei de esperar


de sufocar


de reprimir e de chorar,


de disfarçar


o que quer


por que quer sair


só pra falar


só pra sentir


só pra viver


e respirar


e me amar,


e te amar assim,


chorando,


gostando,


sofrendo


querendo,


perdendo,


ganhando,


subindo, descendo


vivendo o que vier


e o que há de vir


como for, onde for


viver é mesmo assim;


se derramando


se espalhando


pra dentro e pra fora


de mim.

quarta-feira, 17 de março de 2010

LÁ ONDE DEIXEI MEUS MEDOS


Lá onde deixei meus medos

é que eu fui buscar

minha esperança

em algum lugarzinho

perdido da infância

pelos caminhos estreitos

da verdade

em meio ao pó;

alí, largado

num cantinho

de parede desbotado

encontrei

minha estrela esquecida

meio sem brilho,

esmaecida

mais ainda estrela

de brilho desgastado;

e foi assim que hoje

abrindo todas as janelas

lá no alto posso olhar pra ela

refulgindo minha

esperança revivida.



(Cybelle Ortins)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

SAÍ DE CASA


Saí de casa e vaguei pelo mundo

perdida entre sonhos e estrelas fiquei

hoje olho pra trás e não vejo nada

olho pra frente e não conquistei

hoje ando triste e olho outras almas

cuidando da vida sabendo viver

tristes ou alegres elas vão caminhando

só eu que estou aqui, só eu que parei.

Olho minhas mãos e estão vazias

nada posso levar e nada deixei

me pergunto agitada porque estou aqui,

vendo a vida passar e nela não embarquei?

Tantas vezes eu tento e não dá em nada

Tantas vezes me esforço eu já me cansei

esqueci-me de tudo e o mundo de mim esqueceu

sou mais um vagabundo que se perdeu.

(Cybelle Ortins)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O muro


Quero sair desse lugar.
O muro é tão alto.
onde está o portão ?
Estou cega, nada vejo.
Aqui é tão escuro.
Continuo procurando.
O muro é longo,
o muro é frio,
o muro é alto
coberto de espinhos.
Quero ficar aqui,
agachada num cantinho.
Pode ficar pior,
sempre pode,
caio num buraco
é difícil subir
mas subo.
O muro continua alto,
continua longo,
continua escuro.
( Cybelle Ortins)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A estrela


A estrela cruzou os ares

e partiu

seus cinco pedaços estelares

ao chão

a mão do destino

os espalhou

e o vento levou-as ao longe

cinco pedaços perdidos

nunca mais unirão

e a estrela que partiu-se

sumiu na escuridão.

( Cybelle Ortins )

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O último e o primeiro


É o último dia do ano

e eu caminho entre as sepulturas do jardim

em cada lápide o meu nome.

Deixo em cada uma delas um pouco de mim,

do que já fui e do que sou.

Vou levar para o ano novo

apenas a esperança

daqueles que ficam

de não serem os próximos a partir

porque sempre resta algo a construir
e a ilusão de que

somos indispensáveis.

É o último dia do ano

e o começo de muitos que virão?

(Cybelle Ortins)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Fui embora

Fui embora e me digo é para sempre
mas pra sempre não existe
e saí em busca da felicidade
sem lembrar que a trago em mim.
fui buscar saudades e histórias,
fui procurar um lugar chamado agora
e o agora é aqui
e aqui só faz sentido com alguém
pra partilhar o melhor em mim
e percorrer a estrada em busca do amanhã
que sempre está bem longe de chegar
mas pra sempre não existe
e é por isso que preciso andar
que a jornada para amanhã pode ser longa
alegre ou triste,
depende do que vou levar.
(Cybelle Ortins)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sei


Sei mais que tudo que o sol brilha
e assim mesmo como brilha para todos
brilhará intensamente para mim.
sei que que nesse momento e em tantos outros
é tão dificil crer nisso e prosseguir
mas é preciso.
o sol brilha alto quente e amigo
eu posso ainda não ver o seu brilho
mas posso sentir seu calor.
não me sinto mais rápida ou mais forte
mais ainda está distante o norte
e é preciso seguir
continuar andando mesmo em meio à escuridão
Porquê parar e desistir?
Talvez haja outro meio, sempre há.
pode até demorar
mas o sol está brilhando
e vai brilhar me ensinando que toda escuridão passará
e que basta apenas persistir.

(Cybelle Ortins)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Renúncia

prova de fogo
viver a vida sem viver
respirar
ou apenas existir...
renunciar
dar a sua vida
por outras vidas
que precisam existir
resistir
sufocar desejos
sufocar ardores
sufocar paixão
engolir litros de amargura
e viver a solidão assumida
desistir
desistir da esperança
abandonar as palavras
abandonar a vida
construir a casa
no pó e na cinza
beber o fel
cuspir o mel
mentir os sonhos
cortar a língua
guardar espadas
espancar paredes
sufocar calada
andar até sangrar os pés
rasgar o nada
cobrir verdades
comer a lua
chorar madrugadas
fugir do sol
parecer demente
sorrir chorando
chorar contente
pedir perdão
sofrer o não
engolir angústias
amarrar os nervos
matar o coração
sair do alto
deitar no chão
pedir comida
cuspir o pão
quebrar o prato
encher o pote
jogar no chão.

(Cybelle Ortins)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Até tocar as estrelas


Quando olhei o céu
e vi as estrelas
nelas comtemplei o seu sorriso
e aquela lágrima no meu rosto
tornou-se apenas brilho
em meio à escuridão.
Olhei o vale e nele já não estava tão perdido
pois no caminho
pude ver seus passos;
Quando comtemplei o mar
me desarmei inteira
foi no mar que encontrei
o teu olhar
e na força das ondas
deixei minhas fraquezas
e segui pelo caminho,
o meu caminho,
e toquei as rosas e os espinhos
e na jornada fiz amigos;
Amigos se foram esquecidos
amores que foram,
amores virão;
e as pedras;
as pedras sempre serão pedras,
feridas são abertas
feridas sararão
e eu caminharei até tocar estrelas
amarei,
cantarei,
chorarei,
caminharei até tocar as estrelas.
(Cybelle Ortins)

sábado, 31 de outubro de 2009

Sou a síntese do mundo


Sou a síntese do mundo
sou o ápice da solidão
sou o avesso do encanto
sou o fim da poção
sou o côncavo e o convexo
sou a gota no chão
sou o complexo do simples
sou o raio, o furacão
sou a rocha, sou o grão
sou falho, sou falho
sou o não.

(Cybelle Ortins)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Você me vê


Você me vê e fala comigo
finge que se importa
mas seu aperto de mão me mantém distante
seu abraço é avesso e longe
Então porque manter as aparências?
seja quem você é,
um estranho chegado.
Não sei o que quer
nem o que dizer,
só com você.
Eu queria tanto quebrar esse gelo
mas você não deixa;
queria tanto saber o que você quer
mas quem sabe você talvez nem queira.

(Cybelle Ortins)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Construi um mundo


Construí um mundo
para fugir
Um mundo de palavras
onde encontro por trás destas
minha máscara.
Através desse mundo mágico
eu posso ver o mundo real
Nesse mundo posso ser o que quiser
posso até ser homem ou mulher
velho ou menino,
não importa se sou feio ou bonito
não importa o que faço, o que sigo
nada importa, nem ao menos o que digo,
as palavras são mais fortes do que eu
As palavras tem o seu sentido
São por si só.
A palavra faz o seu caminho
por entre os homens,
(Cybelle Ortins)

No cais do porto


Sou uma criança
perdida no porto
me esqueceram, me esqueci no cais
O barco do tempo partiu
e eu fiquei aqui brincando
o barco navegou tantos mares
singrou os muitos oceanos
40 anos se passaram
desde que o barco se foi
e eu ainda estou
no cais do porto brincando.
(Cybelle Ortins)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Felicidade


Você nunca virá...
porquê me engana?
Porque me iludir
com vãs promessas?
Se não sou tão importante então
porque encher-me de mentiras?
Você não virá, bem sei agora.
Porque então ainda
deseja me iludir?
Procuras outra, vais embora!
Não me importa se partires
Mas vais sabendo que também te viro as costas
e não voltarás a iludir-me!
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